Como quase sempre acontece com os visionários, os Cymande foram praticamente ignorados, tendo cessado as hostilidades após 3 discos editados entre 72 e 74 na editora Janus. Ouvir estes 3 discos é perceber muito da história da música nestes últimos 30 anos. Lá encontramos as sementes do p-funk (George Clinton já estava no activo, mas ainda não tinha gravado as obras-primas), o pós-punk (Liquid Liquid ou ACR), o hip-hop (Grandmaster Flash), entre tantos outros movimentos. Todos os que se deliciam com aquele baixo musculado do Bill Laswell vão perceber que nos Cymande o instrumento já era soberano, ao ponto que quase sempre conduzir toda a acção. E, claro, vão descobrir onde as bandas cut & paste como os De La Soul foram subtraír alguns dos seus samples mais emblemáticos.
Obter a trilogia completa dos Cymande (Cymande - o melhor, Second Time Around e Promised Heights) não é assim tão difícil. Em 99 a Sequel fez-nos o favor de os reunir num CD duplo (ao qual ainda juntou 3 inéditos) que denominou The Message (o nome de uma das faixas do 1º disco, a única que muito vagamente povoou os tops na altura da sua edição).
É justo recordar aqui um disco bem mais recente (2003), o qual fez a assinalável proeza de seguir a metodologia melting pop dos Cymande e registar uma colecção de canções que (infelizmente) uma vez mais parece votada ao ostracismo das playlists (mesmo as mais esclarecidas). Curiosamente, os 3 Generations Walking (disco homónimo) têm também as suas raízes espalhadas pelas Caraíbas e América Latina (o núcleo duro é formado por dois produtores - Michael Kenneth Lopez (MKL) e Herman "Soy Sos" Pearl - um deles oriundo de Belize, contando com participações de cantores oriundos do Chile e do Haiti). Acima de tudo os, 3GW, tal como os Cymande, procuram o mesmo graal sagrado (o groove), recorrendo para tal ao contributo (físico e espiritual) de 3 gerações. A editora house Spritual Life de Joe Claussell teve o bom gosto de editar um dos discos mais importantes dos últimos anos. Para a posteridade ficam pelo menos 3 clássicos contemporâneos: a versão de 'Slavery Days' para o original de Burning Spear (um clássico ele próprio), 'Who Knows' (que baixo!) e 'To Live' (que percussão!).
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